Existem algumas pessoas que eu invejo… Não que eu me orgulhe de invejar, mas eu invejo… Uma delas é Neil Gaiman…. Gosto muito da maneira como ele escreve, como ele consegue caminhar entre o real e o fantástico…. Misturando esses dois aspectos distintos com uma naturalidade, como se o fantástico que cria fosse realmente possível de acontecer… Também pode haver influência das traduções bem feitas, mas sua escrita é fluente, sem ser simplória… Pode-se perceber, no meu blog, o tanto que invejo esse ser, tanto é que o cabeçario faz referência direta a coisas do Neil Gaiman: Os Perpétuos, e uma frase de um de seus livros…. Adorei todos os livros que li dele até hoje… Descobri que o maldito estava na feira internacional de livros em Paraty…. Podia ter conseguido um autógrafo…. Ai ai…. Sabe que quando crescer, gostaria de escrever igual ele! haha
“Nenhum homem, proclamou Donne, é uma ilha, e ele estava errado. Se nós não fôssemos ilhas, estaríamos perdidos, afogados nas tragédias dos outros. Nós nos isolamos (uma palavra que significa, literalmente, lembra-se, ser transformado em ilha) da tragédia dos outros por nossa natureza de ilha, e pelo desenho e pela forma repetitiva das histórias. O desenho não muda: havia um ser humano que nasceu, cresceu e então, por causa de uma coisa ou de outra, morreu. Pronto. Ë possível preencher as lacunas com base em sua própria experiência. Tão sem originalidade como qualquer outro conto, tão único como qualquer outra vida. Vidas são flocos de neve, formando figuras que já vimos antes, tão parecidos uns com os outros quanto as ervilhas de uma vagem (e você já olhou para as ervilhas em uma vagem? Eu quero dizer, olhou mesmo para elas? Depois de um minuto de exame atento, não há chance de você confundir uma com a outra), mas, ainda assim, única.
Sem indivíduos, enxergamos apenas números: mil mortos, cem mil mortos, “o número de vítimas pode chegar a um milhão”. Com histórias individuais, as estatísticas se transformam em pessoas – mas até isso é mentira, porque as pessoas continuam a sofrer em números que, por si só, são entorpecentes e sem sentido. Olhe, veja a barriga inchada do menino e as moscas que andam no conto dos olhos dele, seus membros esqueléticos: vai ajudar se você souber seu nome, idade, sonhos e medos? Se enxergá-lo por dentro? E, se ajudar, será que não estamos prestando um desserviço à irmã dele, que está ali ao lado, estirada na poeira abrasadora, uma caricatura distorcida e inchada de uma criança humana? E daí, se lamentarmos por essas duas crianças, será que agora elas passarão a ser mais importantes para nós do que as milhares de outras crianças atingidas pela mesma fome, milhares de outras vidas jovens e contorcidas que logo se transformarão em alimento para as moscas?
Nós desenhamos nossos limites ao redor desses momentos de dor… continuamos em nossas ilhas, e eles não podem nos ferir. Ficam escondidos sob uma cobertura nacarada, suave e segura para que escorreguem, como ervilhas, de nossas almas sem que sintamos dor verdadeira.”
A ficção nos permite deslizar para dentro dessas outras cabeças, para esses outros lugares, e olhar através de outros olhos. E então, no conto, paramos antes de morrer, ou morremos de forma indireta ou sem prejuízo e, no mundo além do conto, viramos a página ou fechamos o livro, e terminamos de viver nossa vida.
Uma vida que, como qualquer outra, é diferente de todas.”
(Neil Gaiman – Deuses Americanos)
Ainda preciso ler Stardust e Belas Maldições!!
;***
“-Eu quero viver denovo, não nessa meia vida. Eu quero estar em uma vida de verdade, quero sentir meu coração batendo no peito novamente [...].
Ela coçou os olhos, espalhando uma cor vermelha sobre a pele, por causa do estado de suas mãos.
- É difícil, você sabe o pq os mortos só aparecem à noite, cachorrinho? Por que é mais fácil se passar por uma pessoa de verdade no escuro. E eu não quero ter que me passar por uma pessoa. Eu quero estar viva.”
pra mim ainda foi uma das melhores tbm.
Hummm
Tempo que não vinha aqui. hehehe
E nunca comentei…
Mas vou falar, tb admiro muito esse cara. Terminei ontem de ler o livro dele “Coisas Frágeis”, fantástico como sempre.
E ainda, eu fiquei sabendo dele na feira de Paraty depois de já ter comprado a passagem para goiânia, ou com certeza teria ido para lá.
Aí que raiva que deu!
Hehehehe
Beijinho
Pow, blog legalzão! Tô pra começar um meu também. =)
E acho que não cheguei a ler nada do Neil. Mas já é o terceiro blog que eu vejo nessa semana falando sobre ele….